Quando entrares no aconchego deste rancho, pendure no cabide de tua humildade, todas as tuas mágoas e preconceitos. E se mesmo assim tiver ainda algum orgulho, que este seja o de ser gaúcho!!



quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Prenda

“PRECIOSO E RARO”, este é o significado literal da palavra prenda, usado pelo gaúcho para definir sua dama. Enaltece-la não é somente uma das maiores virtudes do homem do sul uma vez que toda a história do sul do Brasil foi marcada de forma acentuada por essas bravas heroínas seja segundo os exemplos de Anita Garibaldi ou Ana Terra ou simplesmente por aquelas que vigiavam o lar em tempos de guerra e que bravamente suportavam a dor da espera de seus peões, muitas vezes sem ter a certeza de seu retorno.
Incontáveis foram os momentos de pranto ao receberem a notícia de que seus esposos não mais retornariam pois seus corpos, despojados de vida amargavam nos campos de combate. Prenda mulher guerreira e de fibra, que com o coração singelo servia o mate ao campesino após um dia duro de lida, que educava os filhos, que tinha na fé na Virgem Maria, o sustentáculo de suas fraquezas e angustias.
E quantas hoje, ainda são esmagadas pela covardia infame de quem deveria zelar pelo seu bem estar, são mães, filhas, avós e netas, que fazem transbordar do peito do homem rude o sentimento mais puro, mais singelo, que por entre os abraços apertados de mãos calejadas traçam uma história de luta coragem e honra.
Assim são essas mulheres pampianas, nosso maior orgulho, ou simplesmente.
“Prendas”.

domingo, 17 de outubro de 2010

A Lenda da Gralha Azul

Há muito tempo atras, nos campos de Lages, levava-se uma vida tranqüila e pacata. Só as festas quermesses, casamentos ou pixuruns quebravam a sua monotonia.
Admiradores respeitosos de suas coisas, os serranos se surpreendiam vendo surgir onde menos se esperava, novos grupos de pinheiros, e por mais que o fizessem, não conseguiam explicações para o fato.
Conta-se que num certo tempo, esta gente serrana foi surpreendida por uma forte trovada.
Em meio á correria e gritos, recolheram as criações e se abrigaram em suas casas junto ao fogo de chão. Um dos moradores atreveu-se a olhar a tempestade, desrespeitando as crendices populares de que dizia ser perigoso olhar a tempestade. Ele viu uma cena jamais vista.
Ele conta que no meio da tempestade uma avezinha ( a gralha azul), estava tentando se abrigar da tempestade, e um dos pinheiros gigantesco estirou os seus braços e acolheu a pobre ave.
O morador foi correr para chamar o povo para ver, mas um clarão o surpreendeu e disse a ele que era para ele contar a todos o que tinha visto e tomar por exemplo.
Maravilhado o morador passou a explicar ás pessoas que era a gralha a responsável pelo aparecimento de tantos pinheiros. Ela enterrava o pinhão para se alimentar no inverno, e esquecendo do lugar onde escondera, ela buscava outros, deixando na terra a semente de novos pinheiros. Fora portanto um gesto de gratidão que o pinheiro se envergava para proteger a pobre ave. A partir daquele dia todos souberam o porque dos pinheiros sem que alguém os plantassem.